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Direito, gestão e esportes

Direito, gestão e esportes

Por Higor Maffei Bellini 

 

Perdemos o título. Ficamos com aquela sensação amarga de que algo podia ter sido diferente. E, como sempre, a indignação tomou conta de quem estava no estádio, das redes sociais, do nosso mundinho. Torcedores organizados ou não cobrando, protestando, pedindo mudanças no comando da equipe, a expulsão de jogadores não comprometidos do elenco. Mas será que isso ainda faz algum sentido?

 

Hoje vivemos uma nova realidade no mundo do futebol brasileiro: a das SAFs.

 

 O time agora tem dono. Um dono que investiu seu dinheiro ou que pediu emprestado em bancos, mas que comprou o time do clube social e assumiu o comando. Assim como qualquer proprietário, ele toma as decisões com base no que considera ser o melhor para si, visando que aquele negócio lhe traga lucro financeiro e contábil. 

 

O que resta à torcida, depois de uma perda de título, então? Torcer para que no próximo campeonato tudo seja diferente, claro. 

 

Mas cobrar como se ainda estivéssemos numa associação, com presidente eleito, conselhos e pressão social, achando que isso mudará algo nos cursos do time, que haverá uma mudança no comando? Isso é uma ilusão.

 

A venda do departamento de futebol foi feita. O clube escolheu esse caminho, de abdicar do comando dos rumos do time de futebol. E com ela, perdeu o controle, blindando o presidente e diretores do clube das cobranças.

 

Não há mais voto, não há mais eleição, que depende do apoio dos torcedores para se assumir o comando do time, pelo prazo do mandato. Pois o dono não precisa ouvir ninguém. Pode até ouvir, se quiser. Mas não é obrigado. Isso muda tudo.

 

A pergunta que precisa ser feita é: até quando os torcedores vão continuar agindo como se pudessem mudar algo, no comando da SAF: com gritos, faixas ou campanhas? O futebol mudou. E o papel do torcedor, infelizmente, encolheu.

 

Quem sabe é hora de repensar o que significa torcer por um clube-empresa, fazer loucuras de gastar o que não se tem para ir viajar e ver jogos fora ou comprar todas as camisas lançadas. Afinal, não somos mais sócios do clube, nossa palavra não tem mais peso,

 

Somos apenas consumidores de um produto que não nos pertence. E isso dói e vai doer ainda mais. Mas é a nova realidade