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Direito, gestão e esportes

Direito, gestão e esportes

Por Higor Maffei Bellini 

 

Num futebol cada vez mais globalizado, em que clubes disputam competições internacionais e têm o seu nome exposto mundialmente pela televisão e pela internet, surge uma tensão entre dois perfis de torcedores: o torcedor "raiz", que paga pouco pelo ingresso, canta de pé e transforma a arena num verdadeiro caldeirão, e o torcedor que paga mais caro, exige conforto, quer ver o jogo sentado e aproveita para fazer negócios ou navegar no telemóvel.

Os dois são importantes para o clube, mas a convivência entre eles levanta questões sobre identidade, tradição e sustentabilidade.

O chamado torcedor raiz representa a alma do clube. É ele quem cria o ambiente que intimida o adversário, apoia nos momentos difíceis e transforma um simples jogo num espetáculo apaixonante.

No entanto, este torcedor, muitas vezes, ocupa lugares de setores que os clubes poderiam vender por preços mais altos, comprometendo receitas importantes.

Por outro lado, o torcedor que paga caro também traz exigências proporcionais ao seu investimento. Quer acessos mais rápidos e seguros ao estádio, alimentação de qualidade, assentos confortáveis e uma experiência que justifique o valor pago. Esse perfil de torcedor, muitas vezes, não canta, mas contribui significativamente para o financiamento da estrutura do clube moderno.

Além disso, os clubes precisam perceber que muitos presentes nos estádios não são torcedores tradicionais. São turistas, curiosos, amantes do futebol que vieram viver uma experiência única, ver ao vivo aquilo que antes só conheciam pela televisão ou pela internet. Talvez nunca mais voltem, mas podem tornar-se consumidores de produtos oficiais e embaixadores da marca clube no mundo.

A resposta talvez esteja no equilíbrio. Criar setores distintos, respeitar os diferentes perfis e garantir que a modernização não apague a alma do futebol é o verdadeiro desafio dos clubes do século XXI.