Por Higor Maffei Bellini
Pois bem, ou nenhum clube das primeiras divisões deveria poder votar para a presidência da CBF, ou todos deveriam.
A atual estrutura estatutária da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) exclui, de maneira injustificável, os clubes do futebol feminino das eleições presidenciais, criando uma desigualdade entre entidades que ocupam posições equivalentes dentro do sistema de competições nacional.
O Estatuto da CBF simplesmente ignora a existência do Campeonato Brasileiro Feminino, que conta hoje com três divisões, abrigando clubes tradicionais, bem estruturados e, em muitos casos, exclusivamente dedicados ao futebol feminino.
Esse esquecimento impede que clubes da elite do futebol feminino possam votar – e, por consequência, serem ouvidos – no processo eleitoral da entidade.
Trata-se de uma exclusão injustificável, pois esses clubes estão na mesma hierarquia de competição que os clubes das Séries A e B do masculino, os quais têm direito a voto.
Se a CBF insiste em exigir que os clubes mantenham equipes femininas e se compromete publicamente com a equidade de tratamento entre seleções e categorias, não pode, por outro lado, omitir o futebol feminino da arena política da entidade.
É urgente uma reforma estatutária que permita aos clubes femininos – inclusive os exclusivamente femininos – participarem da eleição para presidente da CBF.
A ausência dessa participação reforça a marginalização política e mantém o futebol feminino como um projeto sempre passível de descontinuidade, já que não ocupa lugar de influência nas decisões da CBF.
Se um clube exclusivamente feminino pode sofrer as consequências da eleição de um novo presidente da CBF, por que não pode participar dessa escolha?
É preciso garantir a esses clubes o direito de voto – e, portanto, o direito à voz – no processo político que define os rumos do futebol brasileiro.
Ainda que haja dificuldade em estruturar os critérios de voto de clubes que atuam tanto no masculino quanto no feminino, essa não pode ser uma justificativa para manter a exclusão.
A discussão precisa ser feita com seriedade, transparência e compromisso com a inclusão.
A representatividade dos clubes do futebol feminino nas eleições da CBF é um passo essencial para que a modalidade avance com segurança, legitimidade e proteção institucional. Do contrário, continuará sendo tratada como um anexo circunstancial do futebol masculino, e não como um pilar legítimo do e
sporte nacional.