Por Higor Maffei Bellini
Quando falamos sobre assistir a um jogo de futebol, ou qualquer outro esporte, ao vivo, o preço do bilhete costuma ser o foco principal da conversa.
Mas, na realidade, esse é apenas um dos elementos que compõem o custo total de viver a experiência no estádio. E, por vezes, os fatores que rodeiam a entrada, como transporte e alimentação, tornam a ida ao jogo inviável, mesmo para os mais apaixonados.
Posso falar por experiência própria: já deixei de ir a jogos importantes, mesmo com o bilhete garantido, porque os custos paralelos eram simplesmente insustentáveis. Desde a final da Libertadores de 2025, em Lima, até um jogo do Paulista Feminino em Barueri, os preços do deslocamento ultrapassaram todos os limites do razoável, na minha visão e realidade financeira.
Para Lima, uma viagem que normalmente custaria cerca de R$ 2.500,00 estava a quase R$ 10.000,00 um valor quatro vezes superior ao habitual. Já para Barueri, um trajeto relativamente simples na região metropolitana de São Paulo, o Uber de ida chegou a custar R$ 150,00 quando geralmente gasto cerca de R$ 40,00
Nessas horas, o bom senso e o bolso têm de ser ouvidos. Quando o transporte custa mais que o próprio bilhete, torna-se claro que não estamos a falar apenas de paixão, mas de viabilidade.
E essa realidade afasta muitos torcedores dos estádios, não por falta de interesse, mas por falta de condições financeiras e até mesmo de tempo, para fazer essa viagem.
É por isso que clubes e entidades organizadoras precisam repensar a forma como estruturam os eventos.
Não é só o espetáculo em campo que conta. A equação que define a presença do público envolve o preço da entrada, o custo do transporte, a alimentação e, em muitos casos, até o estacionamento, com todos os seus adicionais como combustível, pedágio e desgaste do veículo.
Se o jogo for noutra cidade, noutro estado ou até noutro país, é fundamental considerar se o custo total da experiência permitirá casa cheia. Afinal, numa final de campeonato, muitas vezes, o mais importante é ver a torcida presente, para apoiar a equipe, bem como ficar bonito na televisão e não apenas a arrecadação.
Soluções existem. Parcerias com empresas de transporte, descontos em bilhetes combinados (jogo + deslocamento), campanhas com patrocinadores e até incentivos para o uso de transportes públicos podem fazer a diferença. O evento ganha, o torcedor agradece e o estádio fica cheio, como deve ser.
Porque, no fim das contas, o bilhete pode ser barato, mas se o resto for caro, o estádio continuará vazio.