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Direito, gestão e esportes

Direito, gestão e esportes

Por Higor Maffei Bellini 

 

A música tem o poder de transformar ambientes, criar memórias e unir pessoas, mas, no futebol, ela também pode acender faíscas inesperadas. A mesma música tocada no momento errado, no lugar errado vira um desastre 

O episódio do DJ do Beira-Rio, em 24 de novembro de 2025, que colocou para tocar “Desce pra BC”, com o Colorado em pleno risco de rebaixamento, é um exemplo claro de como a lógica do entretenimento comum não se aplica ao ambiente esportivo. 

Aquilo que é sucesso nas paradas, que toca nas baladas e nos aplicativos, não necessariamente funciona em um estádio carregado de emoção, tensão e identidade coletiva.

Quem trabalha com futebol, em todos os sentidos, precisa entender que o campo esportivo tem suas próprias regras sociais, seus códigos, rituais e gatilhos emocionais. 

A arquibancada não é só um público: é um organismo vivo, pulsante, que sente cada derrota como ferida, como se fosse a maior traição na vida da pessoa e cada vitória como redenção.

Tocar uma música que remete à “queda” quando o time luta desesperadamente para evitar o descenso não foi apenas uma escolha infeliz. Soou como desrespeito simbólico, como se alguém escancarasse a ferida num dos momentos mais delicados da temporada.

No futebol, como na vida, cada detalhe importa. 

A luz, a imagem do telão, a publicação nas redes sociais, o som ambiente, tudo influencia a relação entre clube e torcida. O profissional que desconhece esse código cultural corre o risco de gerar má repercussão na imprensa. Bem como de ser demitido.

A lição é simples: no futebol, não basta ser bom tecnicamente; é preciso também sensibilidade, contexto e compreensão do sentimento coletivo.