Não, o torcedor não pode tudo
Eu, Higor Maffei Bellini, sei que muitos não vão concordar com este texto e isso é normal. Mas, não posso enquanto ser humano deixar de me manifestar sobre o acorrido com o atleta (e o ser humano) Elisson durante um jogo de futebol. Se a dor dele não me tocasse seria eu menos humano hoje.
Ele é um ser humano e, só por isto já merecia ser tratado com respeito. É atleta profissional que estava trabalhando, o que também lhe assegura o respeito a sua vida privado. Quanto às pessoas que o ofenderam, não vou usar o termo "torcedores", lembrando do desencarne de seu filho, fato extremamente doloroso e que fragiliza qualquer ser humano, qualquer família.
Sim, este autor não acredita na morte da alma, acredita que a vida segue. Por isso não uso o termo morte.
Aqueles que estavam no estádio, em uma Arena esportiva, exatamente no momento em que estamos podendo voltar a frequentá-lo depois de mais de um ano apenas acompanhado de casa, jamais deveriam ter aquela atitude desrespeitosa com o atleta, com o ser humano, com a sua família e com a memória daquele que se foi.
Aquele ato feriu a dignidade de todos os todos os atletas que viram a fúria e a ira descontrolada por nada de importante, apenas um jogo. Todos podem e devem procurar melhores condições de trabalho, inclusive o público faz isso em sua vida extramuros, mas atingiu ainda mais fundo ao goleiro.
Aquelas pessoas não podem agir daquela maneira, nenhuma torcida pode agir daquela maneira. Ninguém, nenhum ser humano, pode ofender ao outro sob a alegação de defender a uma instituição.
Arenas esportivas não são locais sem lei que permitem que em seu interior sejam cometidos crimes, que atos desumanos sejam cometidos, sem que consequências punição e que haja consequências. Clubes não precisam ser defendidos pelos seus fãs.
Quem vai a jogo é fã, é um terceiro que sem o qual o evento pode acontecer normalmente, como mostrou a Covid19. Fã está lá para incentivar, aplaudir ou vaiar, nunca para ofender ou agredir.