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Direito, gestão e esportes

Direito, gestão e esportes

Por Higor Maffei Bellini 

 

Com a popularização das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) no Brasil e no mundo, muito se discute sobre os impactos dessas transformações no desempenho esportivo dos clubes. Pois se tem a impressão de que só sendo uma se manterá a competitividade.

No entanto, há uma questão que precisa ser analisada com mais atenção: quais são as verdadeiras intenções de quem compra uma SAF?

Nem sempre, para não falar raras vezes, o objetivo principal é o sucesso do time dentro das quatro linhas. Torcedores poucas vezes compram uma SAF para fazer o clube campeão.

Muitas vezes, o futebol é apenas um meio para impulsionar outros negócios paralelos do novo proprietário. Por exemplo, alguém que atua no ramo do marketing esportivo pode ver a SAF como uma excelente vitrine para promover a sua empresa. 

O clube passa a funcionar como canal para contratos, ativações e para promover a imagem e os interesses do investidor.

Outro exemplo recorrente envolve empresários do setor de transporte. A aquisição de uma SAF pode garantir contratos contínuos com deslocamentos de jogadores e torcedores, movimentando sua frota e garantindo receita certa. 

Há também os casos de agentes de atletas que, ao se tornarem donos de um clube, garantem que os seus jogadores sejam contratados com mais facilidade, criando um ciclo em que agenciar e escalar no time tornam-se parte do mesmo negócio.

Enquanto isso, o torcedor, movido pela paixão, julga a gestão da SAF com base nos resultados em campo. Já o dono da SAF tem outros interesses em mente: lucros financeiros e contábeis, valorização da imagem pessoal e a integração estratégica de seus empreendimentos.

Por isso, é fundamental que os torcedores, a imprensa e os sócios do clube que vai vender a SAF analisem com atenção quem são os novos donos das SAFs e quais os vínculos empresariais que podem estar por trás das movimentações. Nem sempre o objetivo é fazer o clube campeão, às vezes, é apenas garantir que outros negócios sigam prosperando.

Transparência, governança e fiscalização são fundamentais para que o futebol não perca sua essência. Pois quem ama o time é o seu torcedor, não quem precisa ganhar dinheiro com ele para pagar suas contas no final do mês.

Muitas SAF podem estar sendo vendidas, porque o torcedor acha que, assim, manterá a equipe competitiva, ativa e disputando títulos. Mas sendo compradas apenas para fazer a roda dos negócios, paralelos ou não, do dono girar.

Assim é necessário entender o que cada um quer antes de concluir o negócio, para não haver discussão depois.