Por Higor Maffei Bellini.
Não sou o primeiro e nem o único, a começar a repensar esta onde de arenas esportivas, que tomou conta do Brasil em razão da copa do mundo de 2014, mas, agora resolvei deixar aqui registrado o que eu penso, que é a junção de vários textos que eu li. Se alguém quer ter as suas ideias, deve antes se inspirar, aprendendo a ideia dos outros.
Esse conceito de arena é algo que veio importado, já que a ideia de todos sentados, não é da nossa cultura de futebol pelo menos desde a década de 1970 do século passado, quando começaram a ganhar força as torcidas organizadas, que passaram a assistir o jogo de pé, cantando e incentivando os times, mas, já vinha de antes com o espaço destinado as gerais nos estádios.
A Cultura de assistir aos jogos sentados vem dos estádios, localizados em países, onde os torcedores são espectadores de espetáculos esportivos e não parte dele, como na América do Norte. Depois passou a Europa com as arenas reconstruídas após a tragédia de Bruxelas.
Mas aqui chegaram com o "padrão FIFA" para a copa do mundo de 2014, quando foram gatas fortunas para construir ou reformar estádios, destinados a atender as exigências da entidade máxima do esporte, que não diziam respeito apenas dimensão dos gramados, estádios ou cabines para a imprensa, mas, também, para o público, porém, sem fazer qualquer adaptação à cultura desportiva brasileira, que desde pelo menos 1970 é a deter setores onde as pessoas assistem ao jogo em pé e não sentados. Impondo um padrão estrangeiro, que apenas atende a elite nacional.
Prova que isso, o conceito de arenas, deu errado são os vendedores ambulantes que tentam andar no meio das cadeiras, com dificuldade, porque as pessoas estão sentadas e ninguém planejou outra pessoa andando entre a pessoa e a cadeira da frente, isso porque o padrão americano é o do vendedor na escada que passa o produto e recebe o dinheiro com as pessoas do meio passando-os.
Outro problema das arenas é que elas são projetadas, para que em caso de emergência as pessoas, fujam para dentro dos gramados, o que facilita a invasão, já que o projeto todo é feito, para que o gramado seja o local de escoamento do publico, para casos de qualquer gravidade, mas, não pensaram que aqui ao contrário de lá as torcida, infelizmente, invadem os gramados seja para apoiar ou protestar com a equipe, jogadores. O que exige dos clubes a contratação de muitos profissionais, em caráter avulso, apenas para aquele jogo, destinados a impedir esta invasão.
Os ecos da tragédia de Bruxelas, ainda ecoam, neste ponto, mas, seria muito mais fácil o escoamento do público ser efetuados por saídas, de emergência, para as ruas próximas, estacionamentos ou dentro dos clubes, já que aqui os estádios ficam dentro dos terrenos dos clubes, posto que até mesmo, quando se concentra as pessoas dentro do gramados na tragédia ou qualquer outro evento dramático eu preciso tirar estas pessoas de lá, de forma organizada o que pode ser complicado em casos de haver escombros ou outros obstáculos.
Não cremos que repensar a arena, irá atrair de volta aos estádios os excluídos, pela "gumertização" do futebol, posto que esta surgiu com os programas de fidelidade, aqui erroneamente chamados de "sócios torcedores" onde o clube cobra da pessoa uma mensalidade, para que ela faça parte de uma lista apartada, de pessoa, que tem acesso a privilegiado a acesso aos ingressos, para o evento esportivo, e que servem de justificativa, para gestores, dizerem que o valor do ingresso não é de um terço do salário mínimo, porque ninguém paga o valor cheio, em razão dos descontos que estes programas entregam, mas, se o que vale é o valor de face do ingresso o ingresso custa sim o terço do salário mínimo. O que afasta o torcedor comum dos estádios.
Mas repensar a arena, o seu conceito iria, possibilitar aos torcedores, aqueles que gostam do futebol "old school" já que tratamos de um modelo importado, pode-se usar o anglicanismos, voltar a frequentar o estádio de pé, sem lugar marcado, para ter a facilidade de reconstruir, os laços de amizade que os lugares sentados nos estádios destruíram, a não ser, que se consiga sempre comprar os ingressos no mesmo lugar e próximos, bem como poderá trazer a possibilidade dos vendedores poderem trabalhar, sem atrapalhar aos torcedores, e, sem serem atrapalhados por eles.
Toda vez que se impõe um modelo importando, para qualquer coisa, sem o tropicalizar, existe o choque cultural, onde nem sempre o brasileiro sai melhor do que entrou.