Por Higor Maffei Bellini
No futebol brasileiro, há uma revolução silenciosa em curso e ela vem capitaneada pelos times femininos, das grandes e tradicionais equipes de futebol masculino.
Enquanto as equipes masculinas ainda lutam contra a confusão de homônimos e identidades sobrepostas, as equipes femininas encontraram uma solução criativa, eficaz e com imenso potencial de marketing: o uso de apelidos, inspiradas nos times americanos, que usam os apelidos junto ao nome das cidades em que estão localizados, para se diferenciar.
“As Brabas”, “As Sereias da Vila”, “As Gloriosas”, “As Gurias Coloradas”. Esses nomes não são apenas apelidos carinhosos das equipes femininas dos grandes clubes brasileiros.
São, na verdade, novas marcas, pertencentes a esses times. São identidades únicas que evitam que o time feminino seja visto como uma extensão do masculino, como um simples “futebol feminino do [nome do clube]”.
Esses apelidos trazem autenticidade, representam o estilo e a força das jogadoras e, acima de tudo, criam uma conexão direta com a torcida, com a imprensa e com patrocinadores.
O impacto disso é profundo. Em termos de branding, é uma jogada de mestre.
Em vez de lidar com a duplicação de nomes, como temos com Palmeiras masculino e feminino, Flamengo masculino e feminino.
Os times femininos resolveram o problema com criatividade e estratégia. E agora, de forma natural, começa a surgir a tendência oposta: os times masculinos é que precisarão se distinguir.
Por que não pensar em “Os Brabos”? Ou “Os Guerreiros”? Ao invés de "Os Porcos", "Os Mosqueteiros".
A diferenciação das equipes pelo apelido, contando que também não se repitam, pode virar norma, e não exceção. Não apenas para evitar confusão, mas porque funciona. Vende. Atrai atenção. Cria uma narrativa própria. E isso é o coração do marketing esportivo moderno.
A indústria do esporte vive de histórias, de símbolos, de identidades fortes. E o futebol feminino, tão frequentemente negligenciado, mostra o caminho com uma solução original que é, ao mesmo tempo, simples e poderosa. É mais do que marketing: é autonomia, é protagonismo.
A revolução já começou. E, como tantas vezes na história, veio das mulheres.